Daltonismo: tipos e efeito nas cores

Conheça os tipos de daltonismo, quais cores cada um confunde e o que muda na hora de montar uma paleta que funcione para todo mundo.

Equipe Tom a Tom · Atualizado em · 6 min de leitura

Daltonismo é o nome popular da deficiência de visão de cores: a pessoa enxerga, mas distingue certas cores de um jeito diferente da maioria. O tipo mais comum afeta o vermelho e o verde. Existem também tipos que afetam o azul e o amarelo, e um tipo raro em que não se enxerga cor nenhuma.

O termo técnico em inglês é color vision deficiency, e o National Eye Institute, instituto de pesquisa em visão dos Estados Unidos, usa essa mesma expressão. Os tipos e as descrições abaixo seguem a classificação dessa fonte.

Os três grupos de daltonismo segundo o NEI

Vermelho e verde: o mais comum

É o grupo mais frequente. A pessoa tem dificuldade para separar vermelhos de verdes, e isso se divide em quatro variações:

  • Deuteranomalia: certos verdes parecem mais avermelhados. É a forma mais comum de dificuldade com vermelho e verde, e costuma ser leve, sem atrapalhar a rotina.
  • Protanomalia: certos vermelhos parecem mais esverdeados e menos brilhantes. Também costuma ser leve.
  • Protanopia e deuteranopia: a pessoa não consegue distinguir o vermelho do verde.

Azul e amarelo: menos comum

Aqui a confusão envolve o azul e o amarelo.

  • Tritanomalia: dificuldade de separar azul de verde e amarelo de vermelho.
  • Tritanopia: azul e verde, roxo e vermelho, amarelo e rosa parecem iguais. As cores também aparecem menos brilhantes.

Completo: raro

Na forma completa, também chamada de monocromacia ou acromatopsia, a pessoa não enxerga cores. Dependendo do tipo, a visão também pode ser menos nítida e a sensibilidade à luz, maior.

Quantas pessoas são afetadas

O National Eye Institute informa que cerca de 1 em cada 12 homens tem deficiência de visão de cores. A página não traz um número para mulheres, apenas diz que o risco é bem maior nos homens, e lista ser branco entre os fatores de risco. Ou seja, é uma média geral, e o número muda conforme o grupo. Por isso, ao projetar um cartaz, um site ou um perfil, não trate o daltonismo como caso raro. Em qualquer público razoável, haverá quem veja as cores de outro jeito.

Uma observação sobre a origem. A maior parte dos casos é hereditária e já nasce com a pessoa. Mas a condição também pode ser adquirida: lesões no olho, no nervo ou no cérebro, doenças como diabetes, Alzheimer e esclerose múltipla, alguns medicamentos e o envelhecimento (muitas vezes por causa de catarata) podem alterar a visão de cores. Não há cura para a forma hereditária. A maioria das pessoas se adapta, e há óculos e lentes que aumentam o contraste entre as cores, além de aplicativos que identificam cores em fotos. O diagnóstico costuma ser feito por um teste simples com pontinhos coloridos, aplicado por oftalmologista.

O que isso muda na hora de escolher cores

Duas ideias práticas.

1. O brilho da cor ajuda mais que o matiz. A razão de contraste da WCAG é calculada com a luminância, o brilho relativo de cada cor. O próprio W3C comenta que matiz e saturação têm efeito mínimo ou nulo na legibilidade para essas pessoas, e que a razão é calculada de modo que a cor não seja um fator-chave. Quando duas cores têm brilhos diferentes, a diferença se mantém mesmo para quem confunde os matizes. Quando têm o mesmo brilho, ela some.

2. A cor não pode ser o único sinal. O critério 1.4.1 da WCAG, de nível A, diz que a cor não deve ser o único meio visual de passar uma informação. Esse assunto tem artigo próprio: não use só a cor para passar informação.

Existe ainda um alerta específico do W3C: cores de comprimento de onda longo, como o vermelho, sobre fundo escuro podem ser difíceis de ler para quem tem protanopia. A recomendação da página é evitar vermelho sobre preto.

Dois pares de cores na tabela de uma escola de música

Imagine a tabela de horários de uma escola de música, com dois tipos de destaque: turma lotada e turma com vaga.

Par arriscado: um vermelho escuro #B3261C e um verde escuro #0F6B3A. Sobre fundo branco, o vermelho dá cerca de 6,54:1 e o verde, cerca de 6,59:1. Os dois têm brilho quase igual. Entre si, o contraste é de cerca de 1,01:1. Para quem confunde vermelho e verde, os dois viram praticamente a mesma cor.

Par mais seguro: um azul-marinho #1E3A8A e um amarelo #FACC15. Entre si, o contraste é de cerca de 6,76:1. Os brilhos são diferentes, então a distinção se mantém mesmo sem o matiz. E nenhum dos dois pertence ao par de confusão do tipo mais comum.

Isso não torna o par azul e amarelo uma solução mágica. Quem tem tritanomalia, por exemplo, pode confundir o azul com o verde. A garantia de verdade vem de somar outros sinais, como texto, ícone ou formato.

Teste da escala de cinza no celular

Um teste simples que qualquer pessoa pode fazer:

  1. Coloque a sua peça (post, cartaz, tela do site) numa imagem.
  2. Converta para escala de cinza no editor ou no celular. Na maioria dos aparelhos há um filtro para isso.
  3. Veja se as informações importantes ainda se separam. Se duas cores viram o mesmo cinza, elas dependem demais do matiz.
  4. Ajuste o brilho de uma delas, clareando ou escurecendo, até separar.

Esse teste não substitui um simulador de daltonismo nem a opinião de quem tem a condição, mas pega os problemas mais grosseiros em um minuto.

Equívocos sobre o que o daltônico enxerga

Pensar que daltonismo é “ver tudo em preto e branco”. A forma completa é rara. O comum é confundir certos pares de cor.

Achar que só vermelho e verde importam. O grupo vermelho e verde é o mais frequente, mas azul e amarelo também aparecem. Combine cor com outro sinal em qualquer caso.

Escolher cores só pelo nome. “O verde da legenda e o vermelho da legenda” não resolvem nada se o leitor não separa os dois. Escreva o nome da categoria ao lado da cor.

Aprovar uma paleta só pelo contraste com o fundo. O contraste com o fundo mostra se o texto se lê. Já as cores que precisam se distinguir entre si, como as de um gráfico, pedem outro cuidado. O artigo cores para gráficos que se leem bem detalha isso.

Onde o daltonismo pesa mais: avisos e paletas completas

O caso mais frequente no dia a dia é o aviso de erro e sucesso, quase sempre em vermelho e verde. Ele está em vermelho e verde: avisos sem confusão. E, se você quer revisar uma paleta completa, o artigo como testar uma paleta antes de usar reúne os testes em sequência.

Fontes

  1. National Eye Institute (NIH). Types of Color Vision Deficiency.
  2. National Eye Institute (NIH). Color Blindness.
  3. W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 1.4.3: Contrast (Minimum).
  4. W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 1.4.1: Use of Color.

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