Daltonismo: tipos e efeito nas cores
Conheça os tipos de daltonismo, quais cores cada um confunde e o que muda na hora de montar uma paleta que funcione para todo mundo.
Daltonismo é o nome popular da deficiência de visão de cores: a pessoa enxerga, mas distingue certas cores de um jeito diferente da maioria. O tipo mais comum afeta o vermelho e o verde. Existem também tipos que afetam o azul e o amarelo, e um tipo raro em que não se enxerga cor nenhuma.
O termo técnico em inglês é color vision deficiency, e o National Eye Institute, instituto de pesquisa em visão dos Estados Unidos, usa essa mesma expressão. Os tipos e as descrições abaixo seguem a classificação dessa fonte.
Os três grupos de daltonismo segundo o NEI
Vermelho e verde: o mais comum
É o grupo mais frequente. A pessoa tem dificuldade para separar vermelhos de verdes, e isso se divide em quatro variações:
- Deuteranomalia: certos verdes parecem mais avermelhados. É a forma mais comum de dificuldade com vermelho e verde, e costuma ser leve, sem atrapalhar a rotina.
- Protanomalia: certos vermelhos parecem mais esverdeados e menos brilhantes. Também costuma ser leve.
- Protanopia e deuteranopia: a pessoa não consegue distinguir o vermelho do verde.
Azul e amarelo: menos comum
Aqui a confusão envolve o azul e o amarelo.
- Tritanomalia: dificuldade de separar azul de verde e amarelo de vermelho.
- Tritanopia: azul e verde, roxo e vermelho, amarelo e rosa parecem iguais. As cores também aparecem menos brilhantes.
Completo: raro
Na forma completa, também chamada de monocromacia ou acromatopsia, a pessoa não enxerga cores. Dependendo do tipo, a visão também pode ser menos nítida e a sensibilidade à luz, maior.
Quantas pessoas são afetadas
O National Eye Institute informa que cerca de 1 em cada 12 homens tem deficiência de visão de cores. A página não traz um número para mulheres, apenas diz que o risco é bem maior nos homens, e lista ser branco entre os fatores de risco. Ou seja, é uma média geral, e o número muda conforme o grupo. Por isso, ao projetar um cartaz, um site ou um perfil, não trate o daltonismo como caso raro. Em qualquer público razoável, haverá quem veja as cores de outro jeito.
Uma observação sobre a origem. A maior parte dos casos é hereditária e já nasce com a pessoa. Mas a condição também pode ser adquirida: lesões no olho, no nervo ou no cérebro, doenças como diabetes, Alzheimer e esclerose múltipla, alguns medicamentos e o envelhecimento (muitas vezes por causa de catarata) podem alterar a visão de cores. Não há cura para a forma hereditária. A maioria das pessoas se adapta, e há óculos e lentes que aumentam o contraste entre as cores, além de aplicativos que identificam cores em fotos. O diagnóstico costuma ser feito por um teste simples com pontinhos coloridos, aplicado por oftalmologista.
O que isso muda na hora de escolher cores
Duas ideias práticas.
1. O brilho da cor ajuda mais que o matiz. A razão de contraste da WCAG é calculada com a luminância, o brilho relativo de cada cor. O próprio W3C comenta que matiz e saturação têm efeito mínimo ou nulo na legibilidade para essas pessoas, e que a razão é calculada de modo que a cor não seja um fator-chave. Quando duas cores têm brilhos diferentes, a diferença se mantém mesmo para quem confunde os matizes. Quando têm o mesmo brilho, ela some.
2. A cor não pode ser o único sinal. O critério 1.4.1 da WCAG, de nível A, diz que a cor não deve ser o único meio visual de passar uma informação. Esse assunto tem artigo próprio: não use só a cor para passar informação.
Existe ainda um alerta específico do W3C: cores de comprimento de onda longo, como o vermelho, sobre fundo escuro podem ser difíceis de ler para quem tem protanopia. A recomendação da página é evitar vermelho sobre preto.
Dois pares de cores na tabela de uma escola de música
Imagine a tabela de horários de uma escola de música, com dois tipos de destaque: turma lotada e turma com vaga.
Par arriscado: um vermelho escuro #B3261C e um verde escuro #0F6B3A. Sobre fundo branco, o vermelho dá cerca de 6,54:1 e o verde, cerca de 6,59:1. Os dois têm brilho quase igual. Entre si, o contraste é de cerca de 1,01:1. Para quem confunde vermelho e verde, os dois viram praticamente a mesma cor.
Par mais seguro: um azul-marinho #1E3A8A e um amarelo #FACC15. Entre si, o contraste é de cerca de 6,76:1. Os brilhos são diferentes, então a distinção se mantém mesmo sem o matiz. E nenhum dos dois pertence ao par de confusão do tipo mais comum.
Isso não torna o par azul e amarelo uma solução mágica. Quem tem tritanomalia, por exemplo, pode confundir o azul com o verde. A garantia de verdade vem de somar outros sinais, como texto, ícone ou formato.
Teste da escala de cinza no celular
Um teste simples que qualquer pessoa pode fazer:
- Coloque a sua peça (post, cartaz, tela do site) numa imagem.
- Converta para escala de cinza no editor ou no celular. Na maioria dos aparelhos há um filtro para isso.
- Veja se as informações importantes ainda se separam. Se duas cores viram o mesmo cinza, elas dependem demais do matiz.
- Ajuste o brilho de uma delas, clareando ou escurecendo, até separar.
Esse teste não substitui um simulador de daltonismo nem a opinião de quem tem a condição, mas pega os problemas mais grosseiros em um minuto.
Equívocos sobre o que o daltônico enxerga
Pensar que daltonismo é “ver tudo em preto e branco”. A forma completa é rara. O comum é confundir certos pares de cor.
Achar que só vermelho e verde importam. O grupo vermelho e verde é o mais frequente, mas azul e amarelo também aparecem. Combine cor com outro sinal em qualquer caso.
Escolher cores só pelo nome. “O verde da legenda e o vermelho da legenda” não resolvem nada se o leitor não separa os dois. Escreva o nome da categoria ao lado da cor.
Aprovar uma paleta só pelo contraste com o fundo. O contraste com o fundo mostra se o texto se lê. Já as cores que precisam se distinguir entre si, como as de um gráfico, pedem outro cuidado. O artigo cores para gráficos que se leem bem detalha isso.
Onde o daltonismo pesa mais: avisos e paletas completas
O caso mais frequente no dia a dia é o aviso de erro e sucesso, quase sempre em vermelho e verde. Ele está em vermelho e verde: avisos sem confusão. E, se você quer revisar uma paleta completa, o artigo como testar uma paleta antes de usar reúne os testes em sequência.
Fontes
- National Eye Institute (NIH). Types of Color Vision Deficiency.
- National Eye Institute (NIH). Color Blindness.
- W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 1.4.3: Contrast (Minimum).
- W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 1.4.1: Use of Color.
Escrito pela Equipe Tom a Tom. Veja como produzimos e revisamos em Política editorial.