Vermelho e verde: avisos sem confusão

Erro em vermelho e sucesso em verde confundem quem tem daltonismo. Veja como montar avisos com texto, ícone e brilho diferente para todos entenderem.

Equipe Tom a Tom · Atualizado em · 5 min de leitura

Para que um aviso de erro e um de sucesso não se confundam, nunca dependa só do vermelho e do verde. Escreva a mensagem em texto, acrescente um ícone de formato diferente para cada caso e deixe as duas cores com brilhos distintos. A cor continua ajudando, mas deixa de ser a única pista.

Isso importa porque a dificuldade em separar o vermelho do verde é o tipo mais comum de deficiência de visão de cores, segundo o National Eye Institute (NIH). Na página principal sobre daltonismo, o NEI informa que cerca de 1 em cada 12 homens tem deficiência de visão de cores. A página não traz um número equivalente para mulheres. Quem tem esse tipo vê certos verdes mais avermelhados, certos vermelhos mais esverdeados e menos brilhantes e, nos casos mais fortes, não distingue um do outro. Os tipos estão descritos em daltonismo: tipos e efeito nas cores.

Por que o par vermelho e verde falha

O vermelho para erro e o verde para sucesso são convenções antigas. Funcionam para muita gente, mas falham justamente para quem mais precisa do aviso.

O problema piora quando as duas cores têm o mesmo brilho. Veja um par comum de interface:

  • Vermelho #B3261C sobre branco: cerca de 6,54:1.
  • Verde #0F6B3A sobre branco: cerca de 6,59:1.
  • Um contra o outro: cerca de 1,01:1.

Os dois passam no contraste de texto com o fundo branco, e por isso parecem aprovados num teste automático. Mas o contraste entre eles é de cerca de 1,01:1, ou seja, praticamente igual. Para quem não distingue os dois matizes, o que sobra é um só tom.

O W3C é direto sobre esse caso. A página de apoio do critério 1.4.1 diz que, quando a pessoa precisa diferenciar cores específicas, como verde para “válido” e vermelho para “inválido”, é necessário um indicador visual adicional, mesmo que o contraste entre as cores seja alto. Para o caso de campos obrigatórios ou com erro identificados só pela cor, o W3C chama de falha comum (F81).

Os quatro sinais que valem mais que a cor

  1. Texto claro. O critério 3.3.1 da WCAG, de nível A, pede que um erro detectado automaticamente seja identificado e descrito em texto. A cor e o ícone podem reforçar, mas não substituem. O exemplo do W3C é uma mensagem que explica também o conserto: “Please provide a valid email address in the format [email protected]”. Em português: “Digite um e-mail válido, como [email protected]”.
  2. Ícone com formato diferente. Um triângulo com exclamação para erro e um círculo com visto para sucesso são fáceis de separar sem cor.
  3. Posição e proximidade. A mensagem fica junto do campo, não só no topo da página.
  4. Brilho diferente. Se possível, deixe o fundo do aviso de erro e o de sucesso com tons de claridade distintos. Pelo menos, nunca deixe os dois quase iguais.

Dois avisos para o formulário de pedidos de uma loja de artesanato

O formulário de pedido tem dois avisos.

Passo 1. Escreva as duas mensagens.

  • Erro: “Telefone incompleto. Digite o DDD e os 9 números.”
  • Sucesso: “Pedido enviado. Você receberá um e-mail de confirmação.”

Passo 2. Escolha um ícone para cada. Triângulo de alerta para o erro e círculo com visto para o sucesso. Inclua uma descrição de texto no ícone para leitores de tela.

Passo 3. Defina fundo e texto.

  • Erro: fundo #FFF4F2 com texto #B3261C (cerca de 6,07:1).
  • Sucesso: fundo #EDF7F0 com texto #0F6B3A (cerca de 6,02:1). Os dois passam com folga no AA, que pede 4,5:1.

Passo 4. Faça o teste em escala de cinza. Tire a cor da tela. As duas mensagens ainda são diferentes? Pelas palavras e pelos ícones, sim. Se alguma delas só se explicava pela cor, volte ao passo 1.

Passo 5. Meça o ícone. Ele é informação, então precisa de 3:1 contra o fundo do aviso, pelo critério 1.4.11. O assunto está em contraste em botões, ícones e campos.

Posso trocar o par por azul e laranja?

Trocar o par ajuda um pouco em alguns casos, mas não resolve sozinho. A razão é simples: existem também os tipos que afetam o azul e o amarelo, como a tritanomalia, em que o azul se confunde com o verde. Qualquer par de matizes pode falhar para algum tipo de deficiência de visão de cores.

O que funciona de verdade é o conjunto: texto, ícone e brilho diferente. Se você ainda escolher um par de cores com folga de claridade entre si, melhor. Mas essa é uma camada extra, não a base.

Erros em avisos de formulário

Borda do campo em vermelho como único sinal. Quem não percebe a mudança não sabe que errou. Mostre o texto do erro.

Mensagem que só diz “Erro”. Não explica o que consertar. Diga qual campo e o que digitar.

Ícone sem texto, só com uma cor. Um “x” vermelho e um “ok” verde em tamanho pequeno ainda dependem da cor para o sentido. Mantenha ao lado a palavra.

Mensagem que some depois de dois segundos. Quem lê devagar, ou usa leitor de tela, perde a informação. Deixe o aviso na tela até a pessoa agir. O critério 2.2.1 da WCAG (nível A) trata de limites de tempo definidos pelo conteúdo: a pessoa precisa poder desligar, ajustar ou estender o tempo, a menos que a mesma informação esteja disponível em outro lugar.

Confiar só no teste automático de contraste. O par vermelho e verde do começo passa em cada teste com o fundo branco e, mesmo assim, se confunde entre si. Meça também o contraste entre as duas cores.

Próximo passo: refazer os avisos que você já tem

Abra a sua página em escala de cinza e releia cada aviso de erro e de sucesso. Onde sobrar só um quadrado cinza, acrescente texto e ícone. A regra geral por trás disso está em não use só a cor para passar informação.

Fontes

  1. National Eye Institute (NIH). Types of Color Vision Deficiency.
  2. National Eye Institute (NIH). Color Blindness.
  3. W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 1.4.1: Use of Color.
  4. W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 3.3.1: Error Identification.
  5. W3C Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 2.2.1: Timing Adjustable.
  6. W3C. Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.1 (2018).

Escrito pela Equipe Tom a Tom. Veja como produzimos e revisamos em Política editorial.