Como escolher a cor de uma marca
Um roteiro em cinco passos para escolher as cores da marca: público, concorrentes, cor principal, apoio e teste de leitura, com exemplo de estúdio de yoga.
Para escolher a cor de uma marca, comece pelo seu público e pelo que você vende, olhe o que os concorrentes já usam, escolha uma cor principal que se destaque no meio deles, some duas ou três cores de apoio e teste se tudo se lê bem. Nenhuma cor é “certa” por si só. O que funciona é uma cor que combina com o negócio, que as pessoas reconhecem rápido e que você consegue usar em qualquer lugar, da fachada ao perfil da rede social.
Comece pelo negócio, não pela cor
Antes de abrir qualquer paleta, responda por escrito a três perguntas simples.
- Quem compra de você? Idade, bairro, o que essa pessoa valoriza.
- Como você quer que a loja seja descrita por um cliente? Escolha duas ou três palavras, como “acolhedora”, “rápida” ou “séria”.
- Onde a marca vai aparecer? Sacola, embalagem, Instagram, site, uniforme, placa na porta.
Imagine um estúdio de yoga de bairro chamado Respiro. O público são vizinhos que querem uma aula perto de casa. As palavras escolhidas são “calmo”, “acolhedor” e “do bairro”. A marca aparece numa placa na rua, em tapetes e no perfil do Instagram. Essas respostas valem mais do que qualquer lista de “o que cada cor significa”.
Cuidado com tabelas de significado das cores
Muitos textos dizem que azul passa confiança e vermelho passa urgência. A ciência não sustenta isso como regra. Uma revisão de 2015 da psicologia das cores, feita por Andrew Elliot, descreve o campo como “em estágio inicial de desenvolvimento”. Ela aponta que os efeitos dependem de condições como cultura, gênero, idade e tipo de tarefa, e que estudos com amostras pequenas devem ser vistos como preliminares. O autor diz que é prematuro fazer afirmações definitivas.
Na prática, trate o significado de uma cor como uma associação que o seu público constrói com o tempo, e não como um botão que você aperta. O verde de uma farmácia e o verde de uma horta não querem dizer a mesma coisa. Quem dá sentido à sua cor é o conjunto: nome, produto, atendimento e repetição. Para ir mais fundo nesse tema, leia o que a ciência diz da psicologia das cores.
Cinco passos para dar cor ao estúdio
1. Olhe os concorrentes
Anote as cores dos três estúdios e academias mais próximos. Se todos usam azul e cinza, uma marca em azul e cinza some no meio da rua. Não precisa fugir do assunto. Basta escolher um tom diferente dentro dele.
2. Escolha a cor principal
A cor principal é a que aparece mais, no logo e nos fundos. Para o Respiro, um verde-petróleo, #2F5D62, passa um ar calmo e se destaca entre concorrentes que usam azul e cinza. Teste a sua opção no editor de paletas do Tom a Tom e veja como ela fica ao lado de outras.
3. Defina as cores de apoio
Escolha duas ou três. Aqui entram um creme de fundo, #F4EFE6, e uma ameixa, #6B3E5C, para detalhes e botões. Para um destaque pequeno, como a faixa de aula experimental, entra um mel, #E0A458. Se tiver dúvida sobre quantas cores cabem, veja quantas cores usar em uma paleta.
4. Defina quem faz o quê
Escreva uma frase para cada cor: “verde-petróleo é para título e logo”, “creme é o fundo”, “ameixa é para botão e selo”, “mel só em destaques pequenos”. Isso evita que cada pessoa da equipe use a cor do seu jeito.
5. Teste a leitura
Coloque o texto nas cores reais. A WCAG, as diretrizes de acessibilidade do W3C (a versão 2.2, de outubro de 2023, manteve os valores), pede contraste mínimo de 4,5 para 1 em texto normal e 3 para 1 em texto grande. Contraste é a diferença de brilho entre a letra e o fundo. Na paleta do estúdio, medida com a fórmula da WCAG, o verde-petróleo #2F5D62 sobre o creme #F4EFE6 dá 6,40 para 1 e a ameixa #6B3E5C sobre o creme dá 7,43 para 1. Já o mel #E0A458 sobre o creme dá 1,91 para 1. Por isso o mel fica só em faixas e detalhes, nunca em texto.
A WCAG isenta o texto que faz parte de um logotipo, mas essa isenção não é desculpa para um nome ilegível. Se o logo é a primeira coisa que o cliente lê, vale deixá-lo legível.
Tropeços na escolha da cor da marca
- Escolher pelo gosto pessoal. A marca não é sua sala de estar. Sua cor favorita pode não combinar com o público.
- Copiar a cor do líder do mercado. A pessoa confunde as marcas, e quem ganha é o líder.
- Usar muitas cores. Cinco cores fortes disputam atenção e a marca perde identidade. Uma principal e duas de apoio costumam bastar.
- Esquecer o preto e branco. A marca precisa funcionar num carimbo, num fax de pedido ou numa sacola de uma cor só. Teste o logo em versão monocromática.
- Escolher só na tela. A cor muda no papel e na tinta da fachada. Imprima uma amostra antes de fechar a gráfica.
Quando a marca já existe
Se a empresa já tem cores e você está em dúvida, não troque por impulso. Mudar traz custo e risco de perder reconhecimento. O artigo sobre quando e como mudar as cores da marca ajuda a decidir. Para organizar o que você definiu em um documento simples, veja identidade visual básica.
Conferência antes de fechar a paleta
- Escrevi quem é o público e três palavras para a marca.
- Olhei as cores de pelo menos três concorrentes próximos.
- Tenho uma cor principal e no máximo três de apoio, com HEX anotado.
- Cada cor tem uma função escrita.
- Testei o contraste do texto e a versão em preto e branco.
- Vi uma amostra impressa ou aplicada no material real.
Se faltar algum item, comece por ele hoje: o mais rápido costuma ser anotar as cores dos três concorrentes.
Fontes
- Andrew J. Elliot. Color and psychological functioning: a review of theoretical and empirical work (2015).
- W3C, Web Accessibility Initiative. Understanding Success Criterion 1.4.3: Contrast (Minimum).
Escrito pela Equipe Tom a Tom. Veja como produzimos e revisamos em Política editorial.