Cores de roupa e tom de pele
Como pensar em subtom e contraste para escolher cores de roupa, sem regras rígidas: testes simples em frente ao espelho e o que muda com a luz.
Uma cor de roupa combina com o seu tom de pele quando, perto do rosto, você gosta do que vê no espelho. Dois critérios ajudam a testar: o subtom (a tendência de cor que fica por baixo do tom da pele) e o contraste (a diferença de claro e escuro entre pele, cabelo e roupa). Nenhum dos dois é regra, são pontos de partida. O que muda de uma cor para outra é o efeito que ela tem perto do rosto, e isso você confere com testes simples. Este texto vale para qualquer tom de pele.
Subtom: a tendência de cor por baixo da pele
O tom da pele é o quanto ela é clara ou escura. O subtom é a tendência de cor por baixo disso. Na conversa de moda e maquiagem, fala-se em três grupos:
- Quente: a pele tende ao dourado, ao amarelado ou ao pêssego.
- Frio: a pele tende ao rosado, ao avermelhado ou ao azulado.
- Neutro: uma mistura dos dois, sem tendência clara.
Essa divisão é uma convenção popular, usada por consultores de imagem e marcas de beleza, e duas pessoas podem discordar sobre o subtom da mesma pessoa. Use como vocabulário para conversar, não como medida.
Contraste pessoal: pele, cabelo e olhos
Contraste pessoal é a diferença entre o claro e o escuro dos seus traços: pele, cabelo e olhos. Uma pessoa de pele clara e cabelo preto tem contraste alto. Uma pessoa de pele média e cabelo castanho médio tem contraste mais baixo. Alguém de pele escura e cabelo preto pode ter um contraste mais suave entre eles, mas um contraste forte com roupas muito claras.
Isso importa porque a roupa entra na comparação. Para entender melhor como o claro e o escuro funcionam, veja o artigo sobre contraste de valor, matiz e saturação.
Um jeito de usar essa ideia: se você tem contraste alto, roupas de contraste alto (preto com branco, por exemplo) tendem a “equilibrar” com o rosto. Se você tem contraste baixo, combinações mais próximas em claridade tendem a ficar harmônicas. Quem prefere um visual diferente pode seguir o caminho oposto sem problema.
Exemplo passo a passo: teste em frente ao espelho
Você precisa de luz do dia, um espelho e quatro ou cinco peças de cores diferentes (pode ser camiseta, lenço ou até um pedaço de tecido).
- Fique perto da janela, sem maquiagem forte, com o cabelo como costuma usar.
- Segure a primeira peça perto do rosto, na altura do queixo, e olhe por alguns segundos. Em seguida, troque pela segunda.
- Observe o rosto, não a peça. Pergunte-se: a pele parece viva ou apagada? As olheiras parecem mais fundas ou mais leves? Os olhos ganham brilho?
- Anote a ordem de preferência. Use cores diferentes do seu guarda-roupa: por exemplo, azul-marinho
#3B4A5A, terracota#B5533C, caramelo#D9B38C, verde-sálvia#6F8F72, off-white#F2E9DC. - Repita à noite, com a luz de casa. Compare. É comum a ordem mudar.
- Peça uma segunda opinião de alguém que fale com sinceridade. Uma foto também ajuda, mas confira a foto à luz do dia, porque a câmera altera a cor.
O resultado mostra quais cores você gosta de ter perto do rosto e quais prefere usar em calças, saias ou sapatos.
Dois testes de dois minutos para ir além do espelho
Teste da foto em preto e branco. Tire uma foto do rosto com a peça perto do queixo e passe a imagem para escala de cinza (a maioria dos celulares tem esse filtro). Sem a cor, dá para ver só o claro e o escuro: a roupa ficou parecida em claridade com a sua pele e o seu cabelo, ou se separou deles? Nenhum resultado é certo ou errado. O primeiro tende a um visual mais suave, o segundo a um visual mais marcado.
Teste da peça por baixo. Vista a mesma blusa colorida duas vezes: uma com uma camiseta branca por baixo da gola e outra com uma camiseta escura. Olhe se o rosto ganha ou perde destaque. É um jeito rápido de ver o efeito do claro e do escuro sem trocar de cor.
Peça de cima, peça de baixo: onde cada cor fica melhor
A cor que mais pesa no efeito é a da peça de cima, perto do rosto: gola, blusa, lenço, brinco, óculos. Se você gosta de uma cor, mas ela não agrada tanto perto do rosto, use-a na parte de baixo ou em acessórios mais afastados. Ou deixe uma peça neutra entre o rosto e a cor, como uma camiseta clara por baixo.
Albers e a relatividade da cor: a pele também é vizinha
O pintor e professor Josef Albers mostra, no livro Interaction of Color, a relatividade da cor: uma mesma cor parece diferente conforme as cores ao redor. A pele funciona como a cor “de fundo” ao lado da roupa. Um mesmo laranja pode realçar a pele de uma pessoa e parecer apagado na pele de outra, e o contrário também acontece. Não dá para prever só pela regra de quente ou frio. Por isso o teste no espelho vale mais do que qualquer tabela.
Luz de provador, luz de casa e luz da rua
Uma lâmpada com mau desempenho em reproduzir cores muda a aparência da roupa e da pele. O índice de reprodução de cor (IRC, ou CRI em inglês), definido pela CIE, a comissão internacional de iluminação, compara como a lâmpada mostra as cores com uma luz de referência. A própria CIE avisa que, em lâmpadas de LED, esse índice nem sempre combina com a avaliação visual das pessoas, então o número da caixa não basta. Para escolher roupa, a luz do dia continua sendo a mais confiável. O artigo sobre luz da lâmpada e cor dos objetos detalha isso. Se o provador tiver luz forte e amarelada, diferente da luz da rua, leve a peça até perto da porta ou da vitrine antes de decidir.
Erros ao testar roupa perto do rosto
Testar sob uma luz só. A mesma blusa pode parecer ótima na lâmpada amarelada do quarto e sem graça na janela. Repita o teste em duas luzes.
Julgar a cor pelo cabide. A cor no cabide parece diferente da cor vestida. Sempre experimente.
Testar com maquiagem pesada ou cabelo recém-pintado. Isso muda o conjunto. Se pintou o cabelo, refaça o teste.
Esquecer o que você sente. Se uma cor deixa você sem graça, não use, mesmo que o teste diga que “combina”. Se uma cor faz você se sentir bem, use.
Achar que o teste vale para sempre. Cabelo, bronzeado e idade mudam o conjunto.
Da lista de cores ao guarda-roupa
Faça duas listas: as cores que você gosta perto do rosto e as que prefere longe. Com a primeira lista, escolha blusas, camisas e lenços. Com a segunda, calças, saias e sapatos. Se quiser montar combinações entre elas, o artigo sobre como combinar cores na roupa traz um método passo a passo.
Se você gosta de testar no computador, coloque os HEX da sua lista no editor do Tom a Tom e veja as cores lado a lado. Lembre que a tela é só uma referência, e a decisão final é com o tecido real à luz do dia.
A melhor medida é simples: quando você veste a cor, as pessoas olham para você ou para a roupa? Se for para você, a cor está trabalhando a seu favor.
Fontes
- Josef Albers. Interaction of Color (50th Anniversary Edition) (2013).
- CIE (Comissão Internacional de Iluminação). Colour Fidelity Index for accurate scientific use.
Escrito pela Equipe Tom a Tom. Veja como produzimos e revisamos em Política editorial.